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Chico morreu...
por: Humberto Pazian

A Em meio a fogos de artifício, apitos, gritos, buzinas e uma enorme euforia, as pessoas agitavam suas bandeiras e sorriam, riam e cantavam. Que grande exaltação, afinal, o Brasil era, mais uma vez, campeão... Era verde, amarelo e branco o coração de todos, o Brasil era penta, mas e os nossos problemas, contas e desacertos? Deixa quieto - dizíamos, somos campeões e o resto, o resto a gente agüenta...
No meio de toda essa bagunça, de vez em quando alguém avisava, mas sem muita audiência; “Gente, o Chico morreu!”
Nenhuma outra seleção havia atingido tal posição, do mundo, cinco vezes campeão... Éramos de fato o país do futebol, do samba e me parece que também “Pátria do Evangelho”...
Como toda emoção extrema, ou desequilibra ou tende a se normalizar, as buzinas cessaram, os apitos também, as cores mais comedidas voltaram a fazer parte do vestuário e aos poucos fomos voltando a realidade...Realidade?
...O Chico morreu... Como? Morreu? O Chico Morreu? E aí, a ficha caiu! As contas pra pagar, trabalho pra enfrentar, família pra cuidar e á vida pra tocar...E sem o Chico...
De um jeito ou de outro, todos nós nos abrigamos sob suas asas, através de um livro que consolou, esclareceu, tocou-nos o coração, pela palavra sempre inteligente e bondosa, pelas mãos caridosas que só souberam abençoar, pelo espírito heróico que tão bem soube batalhar as experiências que, pra nosso exemplo, resolveu deixar.
Gratidão, pelo pedaço do Chico que há em cada um de nós e que pelo exemplo deveríamos permitir se manifestar.
Ah! Como era bom o Chico, em qualquer momento da vida era bom estar com ele, em qualquer momento de dúvida, lá estava a palavra esclarecedora, em qualquer aflição que assolava o consolo estava sempre perto, em qualquer novo caminho, era ele que indicava o rumo certo.
Era sempre bom ouvir qualquer palavra que saísse de seus lábios, ler qualquer frase que de suas mãos brotassem em livro e sentir sua presença amiga sempre trazia uma paz indescritível.
...O Chico morreu, mas nesse ano se comemora cem anos que ele nasceu...
Que coincidência, é ano de copa do mundo, é ano de nossa seleção, é ano de verde, amarelo e branco, é ano sem problemas, sem dores, sem desilusões...
Ai meu Deus! Acho que a gente não aprende, quanto mais ainda será necessário para que se conheça o bem viver? O que terá que vir por aí, pra ensinar a todos nós nesse mundo a caminhar certo?
Poderia escrever, sem parar, inúmeras folhas sobre esse irmão da fraternidade, mas seria bem melhor que se nesse momento, que a razão se cala e a emoção ganha as alturas Deus me permitisse um pedido, um único só, que fosse em nome de toda a nação e eu pediria, com fé, amor e convicção volta Chico, volta, e não morre mais não!

 

 
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